Dr. Carlos Baraldi

Cirurgias orais em crianças: quando indicar e por que a anestesia geral pode tornar o tratamento mais seguro e tranquilo

Quando uma criança precisa passar por uma cirurgia oral, é natural que pais e responsáveis tenham dúvidas, receios e inseguranças — especialmente em relação à dor, ao medo e à anestesia. Há uma cultura na Odontologia de praticar procedimentos invasivos no ambiente de consultório. É crescente o desejo dos pacientes por experiências menos memoráveis, em que se minimize desconfortos nem sempre previsíveis,  a serem tolerados.

Felizmente, quando bem indicada e realizada em ambiente hospitalar, a cirurgia oral em crianças pode ser segura, previsível e muito mais tranquila, tanto do ponto de vista físico quanto emocional.

Sou Dr Carlos Baraldi, cirurgião bucomaxilofacial em Porto Alegre, e atuo no tratamento cirúrgico de crianças e adolescentes sempre com foco em segurança, cuidado emocional e planejamento individualizado, em parceria com equipes hospitalares e anestesiologistas especializados em pediatria.

Quando uma criança pode precisar de cirurgia oral?

As indicações de cirurgia oral em crianças vão além do que muitos pais imaginam. Entre as situações mais comuns estão:

  • “Dente que não nasceu” (dentes inclusos ou impactados)
  • Caninos inclusos, que não seguem o caminho normal de erupção, seja para colagem e tracionamento, ou extração
  • “Freio da língua curto” (anquiloglossia, “língua presa”), que pode interferir na amamentação, fala ou desenvolvimento
  • “Lesão ou cisto no osso”, identificados em exames de imagem
  • Necessidade de tratar múltiplas regiões da boca em um único procedimento

 

Em muitos casos, intervir no momento adequado evita cirurgias mais complexas no futuro e contribui para um desenvolvimento mais saudável. Não é incomum que as crianças tornem- se refratárias a tratamentos odontológicos, ao sofrerem para algum procedimento cirúrgico na infância. E diferentemente do tratamento odontológico preventivo e restaurador, quando é importante condicionar a criança para que tolere procedimentos que se repetirão ao longo da vida, não queremos que cirurgias sejam necessárias de forma recorrente. Sua necessidade deve ser muito mais pontual.

 

“Dente que não nasceu” e caninos inclusos: quanto antes, melhor

 

Quando um dente permanente — especialmente o canino — não nasce no tempo esperado ou segue um trajeto incorreto, ele pode ficar retido dentro do osso ou em posição desfavorável. Com frequência,pode resultar em cistos (lesões expansivas em forma de “bolha” no osso) ou complicações aos dentes adjacentes. Além de dificultar muito o tratamento ortodôntico, afetando a mordida e a estética do sorriso.

 

A abordagem precoce permite:

  • Procedimentos cirúrgicos mais simples
  • Melhor integração com o tratamento ortodôntico
  • Menor risco de reabsorções ou danos a dentes vizinhos

 

A avaliação cuidadosa define se, quando e como intervir, sempre respeitando o estágio de crescimento da criança. Postergar essas intervenções muitas vezes prolonga o tratamento ortodôntico ou impede soluções mais previsíveis no período de crescimento da criança, como fechamento de espaços.

 

 

“Freio da língua curto”: muito além da estética e da língua presa.

 

O freio da língua curto pode impactar:

  • Amamentação
  • Fala
  • Deglutição
  • Desenvolvimento orofacial

 

A frenectomia, quando bem indicada, é um procedimento rápido e com excelente recuperação. Em crianças pequenas ou em situações associadas a outros procedimentos, realizá-la sob anestesia geral pode tornar a experiência mais tranquila e segura.

“Lesão ou cisto no osso”: diagnóstico e tratamento seguros

Lesões e cistos ósseos em crianças costumam ser descobertos em exames de rotina. Apesar do nome assustar, muitos desses achados têm tratamento cirúrgico simples quando diagnosticados precocemente. Podem, no entanto, crescer e interferir no posicionamento dos dentes ou mesmo anatomia facial, se o diagnóstico ou tratamento não são indicados corretamente.

A cirurgia sob anestesia geral é realizada de forma assertiva, principalmente quando a escolha é a remoção completa da lesão.

 

Por que a anestesia geral pode ser a melhor escolha em crianças?

 

Nem toda cirurgia oral infantil precisa ser feita sob anestesia geral. No entanto, em casos selecionados, ela oferece vantagens importantes:

  • Evita contenção física
  • Elimina medo e ansiedade intensos
  • Permite tratar múltiplas áreas da boca em um único procedimento
  • Garante imobilidade e conforto absoluto da criança
  • Reduz o estresse emocional para a criança e para os pais

O objetivo não é apenas realizar a cirurgia, mas garantir que a criança atravesse essa experiência com o mínimo de impacto físico e emocional possível — especialmente quando há mais de uma região a ser tratada.

Essa abordagem é particularmente valiosa quando seriam necessárias várias intervenções separadas ou quando a criança não consegue tolerar o procedimento acordada.

e muito do que aqui descreve os também se aplica nas cirurgias da boca para pacientes adolescentes. Muitos terão na extração do dente do sisos o seu primeiro procedimento invasivo da vida. Não subestimem essa experiência.

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Segurança anestésica e ambiente hospitalar pediátrico

 

As cirurgias orais em crianças são realizadas em ambiente hospitalar, com estrutura adequada ao público infantil, incluindo:

  • Hospital Moinhos de Vento, com serviços direcionados ao atendimento pediátrico
  • Santa Casa de Porto Alegre, referência histórica no cuidado com crianças

 

O acompanhamento anestésico é feito por  médicos anestesiologistas experientes e especializadas, como a SANE – Serviços de Anestesia e a SAPE – Serviço de Anestesia Pediátrica, garantindo protocolos específicos para crianças, com avaliação prévia e monitorização completa.

 

Recuperação da criança: geralmente mais tranquila do que os pais imaginam

Um dos maiores receios dos pais é o pós-operatório. Quando a cirurgia é bem planejada e realizada sem trauma físico ou emocional excessivo, a recuperação costuma ser:

  • Mais rápida
  • Com menos dor
  • Com menor agitação emocional
  • Sem associação negativa com o ambiente odontológico

Muitas crianças retomam suas atividades habituais em poucos dias, sempre com orientação individualizada.

O que eu recomendo: avaliação cuidadosa e decisão compartilhada. Não subestimem os procedimentos e temam menos o período pós operatório, ao qual a criança se adapta bem.

 

Antes de qualquer cirurgia, a criança passa por:

  • Avaliação clínica detalhada
  • Análise de exames de imagem
  • Avaliação anestésica
  • Discussão clara com os pais ou responsáveis

A decisão pelo tipo de anestesia e pelo momento da cirurgia é sempre compartilhada, respeitando a segurança, o desenvolvimento e o bem-estar da criança.

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Considerações finais

Cirurgias orais em crianças exigem mais do que técnica cirúrgica. Exigem sensibilidade, planejamento e equipes especializadas. Há uma cultura que as cirurgias orais são menores e por isso a criança precisa tolerá-las a qualquer custo. Paradoxalmente, não se discute a necessidade e a competência do médico anestesiologista em cirurgias ou exames invasivos de outras regiões do corpo.

 

O cuidado ideal é aquele que trata o problema sem gerar outro, seja ele físico ou emocional. A criança preserva assim a sua confiança da criança nos cuidados de saúde ao longo da vida. E não raro – aqui trago minha própria história e de muitos pacientes que tive a benção de tratar – é nessas boas experiências que vínculos que nasce o desejo de seguir carreira profissional nas áreas da saúde. Eu me interessei pela Odontologia a partir de experiências da infância – nem todas livres de dor e da cultura do “você tem que aguentar” ou “depois a mamãe te compra um sorvete”. Tive a sorte de ter profissionais que eram apaixonados e explicavam tudo sobre a odontologia, do Fluornatrium (suplemente de fluoreto de cálcio) à bioengenharia da ortodontia, passando pelos cistos (sim, eu tive um aos 11 anos).  Lá nos anos 80, quando assistíamos aos Goonies e o roteiro de Stranger Things não havia sido concebido.

 

Sobre o autor

Dr Carlos Baraldi

Cirurgião Bucomaxilofacial – Porto Alegre

Professor universitário

Atuação focada em cirurgia oral e maxilofacial hospitalar, sedação e anestesia geral nas seguir instituições:  Hospital Moinhos de Vento, Hospital Mãe de Deus, Hospital Blanc e os hospitais do Complexo Hospitalar Santa Casa.

 

Perguntas Frequentes sobre Cirurgia Oral Infantil


1. É seguro realizar anestesia geral em crianças para cirurgias odontológicas?


Sim, é extremamente seguro quando realizada em ambiente hospitalar com uma equipe de anestesiologistas pediátricos especializados. Em Porto Alegre, o Dr. Carlos Baraldi utiliza hospitais de referência (como o Moinhos de Vento e a Santa Casa) que possuem infraestrutura completa e protocolos de segurança rigorosos para o público infantil.

2. Quais as vantagens da anestesia geral em relação à anestesia local para crianças?


A anestesia geral elimina o medo, a ansiedade e a necessidade de contenção física da criança. Ela permite que o cirurgião trate múltiplas áreas da boca em um único procedimento, garantindo imobilidade total e uma experiência sem traumas emocionais ou memórias negativas do tratamento.

3. Quando a cirurgia de “língua presa” (frenectomia) é indicada para bebês e crianças?


A frenectomia lingual é indicada quando o freio da língua interfere na amamentação, na fala ou no desenvolvimento bucal da criança. O Dr. Carlos Baraldi realiza a avaliação individualizada para determinar se o procedimento deve ser feito em consultório ou sob sedação/anestesia geral para maior conforto.

4. Onde realizar cirurgia bucomaxilofacial infantil em Porto Alegre?

O Dr. Carlos Baraldi realiza atendimentos e cirurgias bucomaxilofaciais infantis em hospitais certificados em Porto Alegre, incluindo o Hospital Moinhos de Vento, Hospital Mãe de Deus, Hospital Blanc e o Complexo Hospitalar Santa Casa. O foco é sempre a segurança hospitalar e o bem-estar pediátrico.

 

5. Como é a recuperação de uma criança após uma cirurgia oral hospitalar?

A recuperação costuma ser rápida e mais tranquila do que os pais imaginam. Como o procedimento é realizado sem trauma físico e com controle medicamentoso hospitalar, a criança geralmente apresenta menos dor e agitação, retomando suas atividades normais em poucos

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